Educação

Adágio pela história da educação: da pré-história aos nossos dias

Professor Cídio Lopes


A história da educação é uma temática ampla e instigante. Pode-se examinar a história da humanidade desde seus rudimentos que aí vamos observar a marca peculiar dos humanos que é a de produzir conhecimento acerca da realidade e de transmiti-lo às gerações futuras. Segundo Alfredo Bosi (Bosi, 1992), em Dialética da Colonização, o ato de cultivar, marca da passagem do homem nômade e coletor para o sedentário e agricultor, passou ser uma marca do fazer humano. As tarefas de cultivo da terra, desse modo, deixou de ser uma atividade externa ao homem para ser, também, seu instrumento de formação. Essa prática de uma educação dissolvida nos fazeres cotidianos não se reduz a uma longínqua data, mas pode ser observada, entre outros, em comunidades indígenas do Brasil. Aí o formar se dá através do fazer cotidiano e dos rituais religiosos. Não havendo, como hoje na sociedade ocidental, uma distinção entre o aprender o viver social.
Temos no ocidente apenas comentários gerais do que é propriamente a história da educação do outro lado do orbe terrestre. Contudo, pode-se dizer que as religiões marcaram tais fazeres. Fato que pode ser notado, também, na cultura hebraica. O fator religioso parece marcar a transição das comunidades primitivas e, até mesmo, da Antiguidade para a época a época moderna e contemporânea. Da cultura hebraica, da qual somos herdeiros, a marca da educação como um fazer agregado à religião demonstra que há uma implicação estreita desses dois fazeres humano.
Para nós do Ocidente o fenômeno cultural realizado na Grécia Antiga é de fundamental importância. Dessa cultura decorrem as primeiras filosofias que irão marcar, até os nossos dias, todo o modo de pensar e agir na vida. Sociedade humana com suas contradições, já que se sustentava em base escravocrata, o mundo grego fez história. Mas não partiu do nada. Houve intensa relação comercial e cultural com o Oriente Próximo e com o Egito daquela época. As influências podem ser percebidas na presença do culto dionisíaco, expresso nas festas populares como o teatro da tragédia. Mas, como é próprio do humano, a cultura grega opera suas transformações, levando, por exemplo, a uma transformação do culto órficos, operado por Pitágoras e sua escola. Para os órficos o cultivo do mistério da vida e sua compreensão em termos mágicos eram suficientes, ao contrário, a escola pitagórica, operando a marca grega, já caminha para uma racionalidade que destitui o mistério do culto e trata-o apenas como número. Mas é ainda flagrante a relação entre educação das escolas pré-socráticas e o fenômeno místico-religioso.
Ainda no mundo grego, dos primeiros filósofos e suas implicações com uma certa religiosidade, temos no ápice dessa cultura da antiguidade a ruptura com a religião, enquanto experiência fora da razão, para a consolidação de uma filosofia de vida baseada na razão. Sócrates é um notável no âmbito da compreensão do homem e, de certo modo, de uma nova educação. Conheça-te a ti mesmo sem dúvida é um divisor de águas e faz com que o homem seja o centro das incursões no mundo do conhecimento.
A democracia grega, fruto da filosofia, não resiste à expansão do Império Romano. Alexandre Magno é sem dúvidas o divisor de águas, isto é, marca a passagem da cultura centrada na polis, para uma cosmopolita. Emergem escolas como os cínicos, neoplatonicos, epicurista e a escola estóica. Os traços gerais da educação nessa época são situados em vistas de um projeto político macro e até mesmo micro que é o Império Romano. A educação estabelece relação favorável ou não a esse modelo político que se estribava na cultura militar de dominação e espoliação. O cinismo pode ser situação como uma expressão diante do poder massacrante do Império, por outro lado, o humanismo, pode ser uma educação que não problematiza a sociedade injusta.
Do período romano para a Idade Média observamos no Ocidente a volta do fenômeno religioso com forma de organização social, cultural e político. A educação é, desse modo, vinculada diretamente às práticas religiosas. A escola formal, organizada, era de acesso exclusivo de uma elite clerical e real. Os rituais religiosos era a forma de educação das massas.
No interior da Idade Médica temos a gestação do que chamamos hoje de Modernidade e da classe social burguesa. A ruptura político-religiosa tem em Lutero e na Reforma ícones do novo modo de governo e, sobretudo, de educação. Dentre os vários pensadores vale destacar , também, Comenius, pai da pedagogia moderna. Seu lema “Ensinar tudo a todos” lança as bases para as reflexões posteriores até os nossos dias. Antes dele, talvez, vale lembrar a frase de Francis Bacon: “saber é poder”. Expressão filosófica que sintetiza o espírito de uma época. Postura de interesse dos que estão no poder e, desse modo, a educação passa aqui acolá ser objeto de interesse estatal. Polulam, também, as teorias educacionais, todos apregoando uma melhora na tarefa de ensinar
O capítulo da história da educação no Brasil tem início na época da colonização portuguesa das terras “tupinikins”. Desse modelo de governo temos uma educação promovida pela Companhia de Jesus, os Padres Jesuítas, e que procurava na formação educacional dar um suporte à Metrópole, apregoando, assim, um tipo de educação humanista, para ilustrar a alma e manter os status quo.
Os processos educacionais em terra brasileira irão entrar em definitivo na agenda do Estado a partir da Independência e, sobretudo, a partir da Proclamação da República. A temática da educação brasileira foi sempre regada por teorias revolucionarias ou reacionárias provenientes da Europa ou Estados Unidos do Norte. Ora positivista, ora liberal, ora anarquista e, principalmente, com a “Escola Nova” são as marcas que orienta o agir educacional. Personagens de destaque, entre vários outros, Fernando Azevedo e Anísio Spínola Teixeira marcam época.
Qual tipo de educação a ser adotada? Sem dúvidas essa é uma questão de passagem obrigatória para todos os movimentos educacionais do Brasil. Para alguns era o humanista, para outros o técnico, que iria garantir uma pátria forte. Ora a elite rural abominava a idéia de instrução pública e para todos, ora as elites urbanas interessado na educação técnica para formar um proletário apropriado aos modos de produção industrial. Tensão que se faz presente nos dias de hoje.
Enfim, pensar a história da educação no presente é mister e proveitoso para melhor exercer a função de docente. Com uma analise histórica poderemos situar melhor o que esperemos da educação da juventude de hoje. Qual linha a ser adotada? Pergunta que parece ser intrínseca ao próprio ato de educar. Esse fazer humano, que tem no constante exercício de atualização, é que lhe dota de um caráter de ser aberto. Sempre um ser a ser construído que na atualidade encontra no fazer da educação uma instancia fundamental de qualquer sociedade.



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