O que a Maçonaria faz?



A maçonaria é sempre objeto de especulação e ilações diversas. Duas coisas é preciso dizer acerca dessas fantasias. Em primeiro lugar temos que dizer que a mente humana tem necessidades peculiares e uma delas é a de que há um fim para tudo que nos rodeia. Quando pensamos a terra, logo nos vem que há o espaço em volta dela. Assim acontece quando passamos a pensar o universo, somos levados, logo a seguir, a pensar que há algo além dele.
Temos necessidades de pensar o fim de algo, mas junto vem sempre outra necessidade que é imaginar que sempre há algo além daquele limite que acabamos de estabelecer. Estabelece-se um dilema que não tem solução. Para resolver tal problema de fundamento arrumamos histórias que para alguns são falsas, para outros, a grande maioria, são coisas verdadeiras. Dentro dessas soluções é que podemos localizar a necessidade de fantasiar acerca não só da Maçonaria, mas sobre um “algo secreto” que espreita a vida.
Outro ponto que joga fogo na fogueira da especulação do que é maçonaria é algum ou a grande maioria de seus confrades. Que por certa inércia intelectual acabam por alimentar a condição humana da fantasia salientada acima. Ter fantasias para resolver questões de ordem existencial não é um ultraje. Trata-se de nossa condição humana. O risco é quando essas fantasias perdem a consciência de soluções fictícias para problemas reais de nossa vida. É salutar para qualquer cultura a produção de artes, (teatro, literatura, religião), mas perder a noção onde começa a fantasia e onde termina a realidade podem ser coisas perigosas.
Alguém pode dizer que meus argumentos não são verdadeiros e que a aura da maçonaria nos dias de hoje não se beneficia de fantasias, mas de algo real. Discutir o que é real e o que é ficção é um longo assunto. Aliás, atualmente atuo como pesquisador do tema “Ficções Jurídicas e suas relações com a Filosofia de Nietzsche.”(A obra em questão é: Filosofia do Como si de Hans Vaihingers) Nossas reflexões nesse trabalho procura exatamente pensar o que é realidade e ficção na empresa jurídica. Mas nosso propósito aqui não é falar da empreitada jus-filosófico e sim da fantasia que faz orbita a Ordem Maçônica e que é possível determinar sobre esse tema as vastas divagações que pululam na internet. Podemos dizer que criamos a realidade, mas esse exercício não se dá sem regras e, sobretudo, de intercâmbio com outros indivíduos no complexo tecido social.
Não dá, portanto, para alguém sentar no computador e criar realidade. Apenas um coletivo pode fazer isso e ao longo do tempo. O virtual certamente marcará nossa sociedade; dirá muito de como levamos a vida; de como,inclusive, fantasiamos o que é a vida.
Nesse contexto encontram-se, então, as fantasias acerca da Maçonaria. Teorias da conspiração; longos textos, de péssimo gosto, provando isso ou aquilo. Indivíduos que se intitulam “O Cristão” a defender a boa moral.
Mas para todos esses “aloprados”, inclusive Confrades,  quero destacar alguns dados. Grosso modo, sem um rigor acadêmico necessário, pesquisas do IBGE diz que no Brasil 80% da população é considerada analfabeta funcional; 15% analfabeto total; o que nos resta 5% de pessoas que poderiam ser consideradas alfabetizadas. Esses dados não são para bater no leitor. Minha intenção não é essa. Não espero, por outro lado, ser “snobe” e despertar a falsa modéstia do ignorante, que apela e opta em ser parceiro da ignorância na tentativa de acossar o saber de quem rala na senda do conhecimento. Quero apenas dizer que sobre Maçonaria há muita, mas muita ignorância cultural. Fato que contamina não só os detratores da Ordem, mas, sobretudo os que se encontram nela.
A crítica desse texto, portanto, parece-me ser mais dirigida aos próprios maçons que engrossam as fileiras dos analfabetos funcionais desse país. E aqui não quero poupar ou fazer uso do “jeitinho brasileiro”. Espero que os maçons parem de repetir frases prontas, clichês nacionalistas-facistas acerca da pátria amada e comecem a aumentar o nível cultural pessoal. Raro são as Lojas Maçônicas no Brasil que financiam escolas de ponta. (No triângulo mineiro existe uma Faculdade ligada a uma Loja; No Nordeste existe outra experiência).
O pior de tudo é que pelo interior do Brasil o que mais se vê é maçom posar com ar de “saber tudo”. Certamente não me refiro a Conselheiro Pena apenas, mas quando falo de Brasil trata-se dos lugares de norte a sul por onde passei. Também não vale apelar; é comum dos arrogantes e ignorantes; precisamos ser humildes e contribuir, pois temos condições, para a existência de outro Brasil. Nunca seremos uma China com esse modelo de cultura “futebolística”(de futebol) e “novelística” (de novela). Converso com certa freqüente com pessoas que estiveram na China. Tudo por lá pode nos deixar meio “espantado”, mas é ponto comum: existe uma cultura muito rica de mais de 3.500 anos.
Um grande abraço a todos os que tiveram a paciência de ler essas linhas.
















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