O que faz uma Academia Maçônica de Filosofia?



É comum em solo brasileiro a fundação de sociedades culturais com nomes pomposos. Com freqüência encontramos as Academias de Letras e associações culturais. Grosso modo o que caracteriza essas iniciativas?
Quais as motivações delas? Há um propósito aparente e outro por detrás?


Poderíamos aqui investigar do ponto de vista da antropologia o que leva à fundação destas associações culturais. Podemos até mesmo nos perguntar qual relação tais iniciativas estabelecem com nossa cultura Latina e, sobretudo, com o fato do Brasil ser uma "colônia". Mas, por hoje vamos falar apenas do que a Academia Maçônica de Filosofia pretende ser.




Alguém pode dizer que já fizemos isso em outro texto. Nossa contra-argumentação é que dizer sobre algo várias vezes, procurando não repetir as digressões, pode ser um modo de aperfeiçoar as idéias e práticas.
Feito nosso breve corolário, vamos à questão.

A Academia Maçônica de Filosofia procura se distinguir de outras práticas no seio maçônico no que toca a várias coisas.

Primeiro ela não pretende ser um grupo formal, com rituais Regulares, dentro do seio de uma Potência Maçônica. Esta postura tem por objetivo duas visadas. Primeiro por compreender que corre-se o risco de sobrepor atividades maçônicas com a criação de mais rituais aos vários já existentes. Neste sentido, não ser algo com um ritual, rito, é para valorizar o que já existe no seio da Maçonaria. A seção da Loja deve ocupar seu lugar e sua profundidade. Se por ventura os irmãos não estejam sentido isto nas seções o que se deve fazer é procurar renovar o que há e não criar uma outra coisa, que geralmente não resolve o "problemas", mas apenas multiplica.

Outra visada da Academia Maçônica de Filosofia em não ser uma Loja é por compreender que o rigor necessário para a existência de uma Loja Maçônica, que toma tempo e dedicação profissional dos Irmãos da Loja, não deve ser multiplicado sob duas penas: primeiro por total desordem dos obreiros em manter em dia os  documentos e procedimentos junto à Potência. Depois, o esforço empreendido em manter tudo em ordem toma muito tempo dos irmãos. Quanto mais Lojas mais procedimentos, o que não resta tempo para outras atividades da Maçonaria.

Alguém, sobretudo os violentos "orkuteiros"(de Orkut) que são apressados, pode dizer: "Ele não reconhece a Potência como digna representante", mas a reflexão não é por aí. Ao contrário, é para dar valor e sentido à Potência que defendo a não multiplicação de Academias e rituais. Os processos e procedimentos, que podem até ser pensados em modos mais eficientes, mas não extintos, são necessários para se manter de fato uma confraria. O filósofo Nietzsche, a esse propósito, tecia duras criticas à pressa moderna. Para o alemão, os modernos não mais consegue fazer uma leitura dos clássicos, pois tem pressa, preferem ler os resumos dos jornais. Os processos da Ordem maçônica é exatamente para fazer com que as coisas não virem confraria da "carochinha" ou coisa de lunáticos.

A "ordem" que a Ordem Maçônica procura cuidar em geral gera vida. A "ordem", sobretudo aquela apregoada pelos milicos, pode gerar outras coisas, pois se trata de uma ordem que beneficia a poucos. Mas não podemos deixar de afirmar que se há uma ordem que não gera vida, certamente a desordem e o caos geram morte. Neste sentido, é válido o cuidado da Potência para com os procedimentos em Loja.
Porém, a própria Ordem incentiva que as Lojas promovam atividades culturais e filantrópicas.

Neste sentido é que pensamos uma Academia Maçônica de Filosofia. Um instrumento que não tem como foco os processos da Potência. O que ela puder se eximir disso o fará, pois os procedimentos da Loja já cumprem este papel. Cabe a nós a atividade de leitura, produção de resenhas, produção de artigos filosóficos(científicos) e formação humana, entre outras atividades.

Este serviço cultural anda extinto. Temos noticias, em uma introdução de uma obra de Nicola Aslan, que uma Academia tem por objetivo não os rituais, mas a produção de substrato teórico sobre história, filosofia, sociologia, economia maçônica. Outro esforço, notado por nós, é da Editora "A Trolha Maçônica" em publicar "A maçonaria na universidade".

Neste sentido a Academia Maçônica de Filosofia se concentra na produção teórica. Expressão, produção teórica, tão mal vista entre nós brasileiros. Teoria que é sempre posta em suspenso como sendo algo menor e desnecessária, preterindo a tão famigerada "prática".

A Academia Maçônica de Filosofia não está preocupada com um estatuto. Esta prática, notada por nós entre os tais Institutos para-maçônicos, revela já de imediato que tal empreitada será estéril no que toca à produção de conhecimento. (eficiente talvez em arrecadar mensalidades. rsss). O rigor necessário, como respaldo de disciplina, respaldo Legal, já é praticado na Loja Maçônica para  que mais regras?

Também não se tem receio de ser copiada a Idéia. Aliás, felicitaríamos se houvesse uma cópia da Academia Maçônica de Filosofia. Pois o grande público maçônico não estuda, os poucos que leêm, não sabem ler Filosofia e estão mais habituados com os processos jurídicos (os advogados). Fazendo confusão com esse labor técnico e com a Filosofia.

Para os que lêem filosofia, e desejamos nos somar a esses, nossa proposta será compreendida e somaremos esforços em colocar em marcha o que há de mais motivador na  Ordem: Filosofia.

A Academia Maçônica de Filosofia, portanto, se define e põe enquanto uma prática modesta de alguns Maçons. A prova de sua existência é a produção teórica, palestras de filosofia, história maçônica, etc.

Suas atividades de dividem, a exemplo da Academia de Platão, entre outras da Grécia Clássica, em esotérica e exotérica. Uma voltada a maçons regulares, outra às pessoas em geral interessadas em Filosofia.

Nas atividades externas, pretende-se também informar ao público em geral o que é Maçonaria, pois assiste-se uma gama de difamações e distorções vulgares e que beira a xenofobia multiplicando-se a cada dia na mídia.

Academia Maçônica de Filosofia
Alfarrabi Ibn.
Oriente de São Paulo

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