A Pedra Bruta





Em outro post dissertamos sobre em que sentido optamos pelo adjetivo maçônica e como ele se encaixa na proposição de que o importante é o Templo interno. Como apresentamos lá, trata-se de um exercício a posteriori,  pois Jesus de Nazaré, o autor da ideia, não era maçom no sentido que o termo ganhou no Iluminismo. O tema desse texto/post é a Pedra Bruta, uma estratégia de ensino aprendizado muito eficaz no seio das organizações maçônicas. (históricas, não-históricas, etc).

Se convidarmos alguém a pensar na frase “conhece-te a ti mesmo” certamente não marcaremos sua imaginação como uma imagem de alguém se auto esculpindo. O uso dessa metáfora, porém tem um preço, comumente pago pela Maçonaria e, indo mais além, a própria cultura de massa que é excessivamente imagética. O valor é as pessoas não conseguirem extrair da metáfora conhecimentos que incidam sobre seu modo de ser e atuar na vida cotidiana.

O que pode ocorrer é a pessoa saber de cor vários clichês sobre pedra bruta e continuar uma vida torpe. A ideia maçônica de  pedra bruta é para representar a ignorância que há em nós e o necessário trabalho sobre essas “asperezas”.

Esculpir a si é o trabalho de se tornar alguém esclarecido. A metáfora da pedra se “encaixa” à ideia de construção do Templo, pois sem uma pedra trabalhada não é possível querer construir algo com ela.



Templo é sinônimo de algo importante, de lugar sagrado e no qual certas questões humanas estão superadas ou que certos aspectos do humano não se apresentam. O homem que é um templo tem condições humanas, mas nele se faz presente o que há de melhor na condição humana.

A Pedra Bruta que se fala na Maçonaria, portanto, é um elemento pedagógico para nos darmos conta de que há em nós elementos que precisam ser trabalhados, polidos. A próxima fase dessa pedra bruta é ela se transformar em pedra cúbica, isto é, em um formato de tijolo grande. Muito utilizado em antigas construções pela Europa e Oriente Médio. Nessa fase da pedra ela poderá ser empregada na construção civil. Dessa metáfora espera-se inferir que um Maçom que completa os estudos do primeiro grau esteja pronto para se empenhar nos estudos de ciências mais complexas, já que o tijolo é uma pequena parte estrutural do Templo.

Trabalhar na pedra bruta é superar questões de escrita, interpretação de texto, leitura em voz alta; saber que ser maçom não é ser um mágico ou possuidor de um cartão de crédito sem fatura; enfim, Heri Poter é ficção para crianças e não histórias factuais para adultos da Maçonaria.

No primeiro grau de estudos da Maçonaria espera-se que a pessoa faça o ensino médio. O trabalho sobre si é fundamental nessa primeira fase, pois o próximo passo e se somar a outros membros da Ordem na construção de “templos”. Se essa pequena peça estrutural não funcionar, algo poderá dar errado durante o erguimento de paredes. Quando reunimos pessoas sem o devido preparo para fazer um projeto coletivo, logo veremos que nada irá para frente. Questões básicas como domínio da escrita e de uma certa racionalidade irão faltar. A desordem será certa.

 Antes do grau dois, no qual ainda haverá muito trabalho sobre a pedra antes dela ser emprega em uma construção, espera-se que um aprendiz tenha conhecimentos em história geral, história das civilizações, matemática geral, História Geral das Religiões, etc.

A riqueza de uma Loja Maçônica será propiciar ambiente de estudos para os seus novos estudantes. Uma biblioteca com bons livros de História Geral, História da Matemática, entre outros. Soma-se aos livros um espaço agradável e propicio para a leitura. Por fim, como papel de todos os mais antigos, pessoas qualificadas a ensinar os novatos.  

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