Característica da Metafísica em seus períodos





Prof. Me. Cídio Lopes
(aula particular de filosofia)



(CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Editora Ática: 2005. p. 180-181) 

"A pergunta pelo que é"

"A metafísica é a investigação filosófica que gira em torno da pergunta "O que é?". Este "é"possui dois sentidos:"
"1. significa "existe", de modo que a pergunta se refere à existência da realidade e pode ser trasncrita como: "O que existe?"; 
"2. significa "natureza própria de alguma coisa", de modo que a pergunta se refere à essência da realidade, podendo ser transcrita como: "Qual é a essência daquilo que existe?"

"Existência e essência da realidade em seus múltiplos aspectos são, assim, os temas principais da metafísica, que investiga os fundamentos, os princípios e as causas de todas as coisas e o Ser íntimo de todas as coisas, indagando por que existem e por que são o que são."

A história da metafísica pode ser dividida em três grandes períodos,  o primeiro deles separado dos outros dois pela Filosofia de David Hume. 

1. período que vai de Platão e Aristóteles (séculos IV e III a.C) até David Hume (século XVIII d.C);
2. período que vai de Kant(século XVIII) até a fenomenologia de Husserl (século XX); 
3. metafísica ou ontologia contemporânea, a partir dos anos 20 do século XX."

"Características da metafísica em seus períodos"

"No primeiro período, a metafísica possui as seguintes características: 
- investiga aquilo que é ou existe, a realidade em si;
- é um conhecimento racional apriorístico, isto é, não se baseia nos dados conhecidos diretamente pela experiência sensível ou sensorial (nos dados empríricos), mas nos puros conceitos formulados pelo pensamento puro ou pelo intelecto; 
- é um conhecimento sistemático, isto é, cada conceito depende de outros e se relaciona com outros, formando um sistema coerente de idéias ligadas entre si;
- exige a distinção entre ser e parecer ou entre realidade e aparência, seja porque, para alguns filósofos, a aparência é irreal e falsa, seja porque, para certos filósofos, a aparência só pode ser compreendida e explicada pelo conhecimento da realidade que subjaz a ela."

"Esse primeiro período da metafísica termina quando Hume explica que os conceitos metafísicos não correspondem a nenhuma realidade externa, existente em si mesma e independente de nós, mas são meros nomes gerais para as coisas, nomes que nos vêm pelo hábito mental ou psíquico de associar em idéias as sensações, as percepções e as impressões dos sentidos, quando são constantes, freqüentes e regulares."

"O segundo período tem seu centro na Filosofia de Kant, que demonstra a impossibilidade dos conceitos tradicionais da metafísica para alcançar e conhecer a realidade em si das coisas. Em seu lugar, Kant propõe que a metafísica seja o conhecimento de nossa própria capacidade de conhecer - seja uma crítica da razão pura teórica -, tomando a realidade como aquilo que existe para nós enquanto somos o sujeito do conhecimento."

"A metafísica poderá continuar usando o mesmo vocabulário que usava tradicionalmente, mas o sentido conceitual das palavras mudará totalmente, pois não se referem ao que existe em si e por si, mas ao que existe para nós e é organizado por nossa razão. Embora com muitas diferenças (que veremos mais tarde), Husserl trilhará um caminho próximo ao de Kant."

"A metafísica contemporânea é chamada de ontologia(veremos posteriormente o sentido dessa palavra) e procura superar tanto a antiga metafísica quanto a concepção kantiana. Considera o objeto da metafísica a relação originária mundo-homem. Suas principais característcas são: 

- investiga os diferentes modos como os entes ou os seres existem;
- investiga a relação necessária entre a existência e a essência dos entes e o modo como aparecem para nossa consciência, manifestação que se dá na várias formas em que a consciência se realiza (percepção, imaginação, memória, linguagem, intersubjetividade, reflexão, ação moral e política, prática artística, técnicas);
- alguns consideram que a metafísica ou ontologia contemporânea deveria ser chamada de descritiva, porque, em vez de oferecer uma explicação causal da realidade, é uma descrição das estruturas do mundo e do nosso pensamento.”











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