Temas de Missiologia


Síntese:
"Temas de Missiologia
Prof.Roberto Zwetsch"

Prof. Me. Cídio Lopes de Almeida



            O texto “Introdução à teologia da missão”, do prof. Roberto Zwetsch, nos apresenta a teologia da missão como uma reflexão teológica no contexto histórico do Povo de Deus. No próprio texto do autor ele designa como “dimensão encarnada da teologia”(p.3). Um ponto muito consciente do autor é nos advertir acerca do seguinte: “A teologia cristã trabalha a partir da fé, é verdade (Hebreus 11.1). Mas para ser ouvida e encontrar credibilidade, ela precisará apresentar razões, argumentos[...](p.3)”. Posicionamento que faz desse campo do saber teológico ser naturalmente interdisciplinar.
            Feito a consideração de que teologia da missão é ter como horizonte o desafio de não apenas pensar a fé cristã em termos lógicos, mas de pensar a fé cristã em termos lógicos e em meio à circunstâncias concretas da comunidade de fé, o autor passa a nos apresentar o contexto  e os desafios da missão. Antes, porém, ele apresenta que ora esse ramo pode ser denominado de Teologia Pastoral, ora de Teologia Prática. Pessoalmente sinto-me contemplado por Teologia Pastoral, pois no contexto da minha formação no Instituto Marista de Ciências Humanas – IMACH a denominação do curso e seus objetivos estava alinhados à Teologia Pastoral. Não só no nome, mas todo o objetivo do curso tinha como horizonte o desafio de ser fermento junto ao Povo de Deus.
            Após fazer um histórico da missiologia, que tem um começo não muito exitoso na Holanda de 1622, passa pelo contexto de expansão do cristianismo pela América Colonial e chega ao século XX nos EUA, o autor nos apresenta algumas definições oriundas do pensador peruano Gustavo Gutierrez  sobre teologia da libertação. A conclusão é que no contexto de uma experiência teológica latino-americana na qual a missão esteve aliada ao projeto político da metrópole ele pode concluir que  “a teologia da missão no contexto latino-americano deve ser vista como uma disciplina da teologia prática”(p.7)
            Sendo assim, temos em Bartolomeu de Las Casas um registro dessa teologia prática que procura ser leitor da realidade na qual o povo de Deus se encontra. Registro que assume naquele contexto o papel de denuncia, pois o projeto de Deus é comumente cooptado pelo poder e, nesse contexto, foge dos objetivos e propósitos da comunidade cristã. Podemos ainda destacar outra experiência de teologia prática com a figura de Felipe Guamán Poma de Ayla(1526 -?)(p.10). Certamente esse ameríndio teve profundo encantamento com a Teologia Cristã, pois suas teses no âmbito teórico são consistentes e de beleza que se destaca de muitas outras experiências religiosas, inclusive a própria experiência dos Incas. Porém, quando entra em contato com sua comunidade de origem, após anos de estudos teóricos na metrópole, o choque entre o pensado e escrito nos papéis se dá na mesma profundidade da clareza e universalidade das teses que fundamentam o ser cristão. Uma vez tocado pelo cerne do ser cristão, não dá para se calar diante a realidade de injustiça em nome dessa mesma fé. Não é possível aquilo que se percebe pelo intelecto ser totalmente negligenciado no âmbito prático e, como Las Casas, Ayala também assume a postura de denunciar os desvios da missão.
            Das questões históricas, das quais temos Las Casas e Ayala como um entre vários outros Profetas Latino-Americanos, o autor, então, nos propõe que a Teologia da Missão tem que ter três etapas para ser pensada. “[...] a prática é a instância que gera a reflexão teológica. A reflexão é o segundo passo. Mas como a reflexão não fica em si mesma, ela volta à prática na forma de questionamento ou proposições a serem testadas novamente no decorrer da ação”. (p.15)  O autor nos propõe ser mais radicais em captar o movimento do real nessa tríade de prática, reflexão e prática-refletida. Apresenta-nos o fato, que muito bem encontra respaldo no filósofo Heráclito, que ao refletir não voltamos para a mesma prática. A reflexão, também, não implica que iremos ter êxito e avanço, mas é fato que não voltaremos no mesmo lugar. Nesse sentido a tríade é mais uma espiral, um voltar que não está preocupado em estar no mesmo lugar, mas em estar sempre caminhando e, nesse sentido, celebrando a vida comunitária.
            Para finalizar, o método prática-reflexão-prática/refletica que  o Prof. Zwetsche nos apresenta na abertura da disciplina de Missiologia como sendo o foco desse campo do saber teológico,  faz eco na minha experiência de comunidade. O método ver-julgar-agir constitui o mesmo pensamento do professor e assinala as repercussões dos esforços de vários  teólogos na América-Latina em pensar a teologia em meio a comunidade e não nos gabinetes.

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