O primado da técnica


Professor de Filosofia

O primado da técnica. 
Vou dar uma volta, mas chegou lá. 

A pouco dias um recém amigo, se podemos prever uma amizade, perguntou-me se há filósofos contemporâneos.

Enfim, vasculhei na cabeça e logo pensei como luso-brasileiro pois já me vi pensado em pensadores da “metrópoles”, confesso que Lima Vaz apareceu de soslaio, assim meio que apertado no canto da mente, igual alguém tentando entrar em um ônibus do terminal Varginha, zona sul de São Paulo Capital. Mas enfim, o Mestre de Belo Horizonte, BH prá nóis”, entrou e veio para ponta da minha língua: sim, temos por exemplo o Pe. Henrique de Lima Vaz.

Penso que não só há filósofos, em especial brasileiro, mas também há problemas filosóficos atuais. A problemas da modernidade, bem colocada por Lima Vaz, certamente é uma das mais acertadas. A modernidade com sua famigerada questão da técnica acabou por expurgar as demais questões do humano. Foi além, atacou mesmo a riqueza que é o humano, pois o enquadrou naquilo que se chama de objetivação: “sujeito”;  pôs cerca, demarcou, reduziu; o que acarreta, já em segundo lance, o empobrecimento do humano, pois passou a ser considerado de uma perspectiva da técnica. É o próprio “frankstein” dominando do médico que o criou. Claro, Heidegger já fez essa denúncia.


Mas minha questão, a partir da lida com a terra, é a alienação na qual vivemos hoje. Nesse exato momento, quando digito, estou alheio a uma multidão de coisas. Não fiz parte do processo de construção deste computador, que precisou de alumínio (MAC), plástico, minerais nobres, eletricidade e, claro, dos vários matemáticos ou lógicos que produziram um tipo de saber que estamos acumulando a vários anos, até mesmo milênio.

Não tenho consciência dessa vasta cadeia de acumulo de saberes e trabalhos do qual desfruto cotidianamente. Essa experiência vem a baila exatamente na experiência do trabalho manual na roça, no campo. Quando você se dispõe a plantar, roçar, arrumar, tudo isso faz com que tenhamos a experiência de quanta mão de obra é necessária para fazer os mais simples processos. Cuidar da horta, das galinhas, dos carneiros, da água, da comida do bichos...

Um jovem com seu iPhone e um cartão de crédito da “mamãe” se acha autônomo, capaz de se entronar no seu medíocre ego solipsista e sentir-se confortado ou mesmo agente de uma realidade autônoma, arrotando para si a alcunha do “eu tenho direitos.


Háaa sábio Sileno! por ondes andas? Não sabemos nós que a pior coisa foi termos nascidos e que se há algo bom, algo digno de nos empenharmos é morrer logo.

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