Sou ou Estou?

O estimado Confrade Sidnei demandou-me uma questão, a qual agradeço, do ser ou estar. Ele sentia-se incomodado quando alguém em alguma função em Loja dizia-se estar e não ser este ou aquele cargo.

A questão apresentada por Sidnei é de muito importância e consiste em um tema muito freqüente em vários âmbitos no Brasil. Quando um ministro disse estar ministro, provocou a mesma incompreensão.

Pois bem, o dilema pode ser posto entre ser e estar. Questões bem filosóficas. Uma explicação plausível pode ser construída em torno do fato de que existem atividades que não são propriamente uma função, mas apenas uma representação. Nesse sentido, todo cargo eletivo não é posse daquele que foi eleito para tal. Você é apenas representante da vontade de outrem, nesse caso, daqueles que o delegaram. Não tem, portanto, como você ser dono da vontade daqueles que o delegaram.

Somo proprietários apenas da nossa vontade ou daquilo que somos capazes de fazer. Nesse caso, dizer que sou professor é pertinente na medida em que esse ser professor não é fruto de uma delegação, mas constitui na minha profissão e se explica na medida em que sei exercer esse trabalho. Como sou capaz de exercer e exerço esta profissão acabo por encampar esse fazer na constituição da minha própria identidade. Donde podermos falar com mais normalidade em ser professor e não estou professor.

Contudo, o incomodo gerada entre sou e estou não é produzido do nado. Como habitualmente verificamos que os políticos estatais tomam a "representatividade" como profissão, houve uma naturalização da ideia de que se é político e não "estar" política. Uma ideia equivocada, mas prática de norte a sul.

Talvez na Suíça (Federação Helvética ou Comunidade Helvética) com seu complexo sistema de governo federativo, suas 4 línguas oficiais, entre outras particularidades, tenham instalados na cultura geral essa ideia de que os cargos de representação não são uma profissão. Tal estágio histórico certamente é fruto de longa data. No resto dos países, mesmos da Comunidade Européia, será comum os profissionais da representação política e será desta prática que se naturalizou tomar a política como profissão.

Portanto, dizer que sou V.`.M.`.  pode, mesmo que não seja este o desejo, a absorção de uma prática equivocada. Se está V.`.M.`. pois o mesmo é M.`.M.`. ocupando uma função entre iguais, portanto colegiada. Quando o V.`.M.`. toma para si a função os riscos podem ser a criação de animosidade entre os demais M.`.M.`. e mesmo entre Comp.`. e Apr.`. Maçons. Dizer que estou V.`. M.`. não quer dizer menos comprometimento. Ser M.`.M.`. é o mais importante e será nesse ser que está incutido responsabilidades suficientes para exercer com respeito as funções necessárias para uma Loja funcionar.








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