O que é Pedagogia?



Quando cursei Pedagogia, após já ter feito Filosofia e Teologia, costumava utilizar do estilo do filósofo Nietzsche, a intempestividade, para produzir um espanto nos demais colegas. O recurso era dizer que não gostava de “Escola” e que Pedagogia não era “escola-logia”, um tipo de ciência que tem por objeto a instituição escola.

O prazer da intempestividade certamente gera deleite apenas em quem propõe o anátema. E nada mais além disso. Contudo, o debate sobre o que é Pedagogia pode ser posto de outras formas e, desse modo, apresentar alguma contribuição para esse campo do saber que se insere entre os mais estratégicos das sociedades contemporâneas informacional.

Existe, por exemplo a pergunta se não seria melhor dizer, como podemos encontrar entre argentinos e outros de língua espanhola, “Ciência da Educação” e não apenas Pedagogia, referente à ideia grega do “escravo” (servo) que conduzia um aprendiz. Ademais, por uma seria de fatores a Pedagogia foi reduzido à escola, e essa é a questão a ser pensada.

Em termos histórico, reduzir a Pedagogia à escola é desconhecer o fato de que a Escola não existiu sempre como a conhecemos hoje. Esse modelo nos remete à Revolução Francesa e a necessidade das sociedades modernas em formar em larga escala as pessoas para que elas possam viver em sociedade enquanto indivíduos portadores de direitos e deveres. Ideologia que funda os Estados Modernos. (Em nota, devemos lembrar que na Arábia “Saudita”, não existe sociedade civil, portanto, não é possível falar em direitos e deveres naquele aliado de primeira linha dos EUA; defensor das democracias…)

Portanto, só no contexto das revoluções modernas é que podemos compreender a escola. Por outro lado, educação é algo mais amplo. Sempre houve educação, não só lá entre os Gregos Antigos, século V a.C., mas podemos verificar sistemas de educação em civilizações muito antigas, como persas, egípcios, etc. Se tomarmos as culturas existentes onde hoje chamamos de Américas também veremos sistemas de educação.

Para além da Escola, há a educação. E essa questão deverá retomar os debates pedagógicos com a criação do Conselho Federal do Pedagogo, que após vários anos em tramitação, encontra-se em fase final (veja aqui). Nesse novo quadro, o Pedagogo será enquadrado entre as profissões liberais e seu domínio profissional irá ganhar a delimitação oficial que já gozam outras profissões como psicologia, direito, medicina, etc. Oportunidade que também colocará em que terreno deverá atuar esse profissional liberal fora das instituições escolares. Em que consistirá seu nicho, por exemplo, dentro das empresas? Em consultório, o que lhe será próprio? o que não será objeto da psicologia, mas da pedagogia?

Nessa fase certamente a própria pedagogia se perguntará: mas afinal o que é próprio da pedagogia? Por que habitualmente são os psicólogos a dizerem o que são os processos cognitivos? Por que a pedagogia se vê acossada em propor terapias cognitivas? Por que chovem os psicólogos comportamentalistas, com seus testes fetiches, a se apresentarem como sendo eles os habilitados a “tratar" educandos com problemas de aprendizado? Enfim, afinal, qual é mesmo o campo da Pedagogia, já que temos a sanção de sermos tolhido por todas as demais epistemologias?


Enfim, finalmente a pedagogia poderá retomar seu campo de saber-poder.

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