A guerra na Venezuela já está em curso




O site Rede Voltaire, nomeadamente o jornalista Thyrri Messei, demonstra, numa série de argumentos e indicações documentais, que haverá uma guerra na “bacia do Caribe”.  Portanto, tomando o trabalho de embasamento feito por ele, devemos compreender e ler a mídia tendo esse fato latente posto. Qualquer outro discurso, logo veremos sua falsidade. Podendo até mesmo nunca ser pronunciado, caso os interesses assim o queiram. Se pensarmos sobre os “acontecimentos” nos anos 60 na Argélia, para dizer da nova forma de fazer guerra que a França inaugurou e que muitos preferem também dizer ser uma modalidade de terrorismo de Estado, notamos rapidamente que por motivos vários pode haver o impedimento sistemático em utilizar a palavra guerra de modo aberto pois tal narrativa desmontaria os interesses Oficiais.

A luz desse ponto de partida podemos notar que estamos no expediente da guerra de informação. No qual a palavra guerra ainda não aparece. Já apareceu (23.02.19) “estado de insurreição”, pelo diário conservador Folha de São Paulo. E irão aparecer uma série de outras palavras e só depois do conflito armando já deflagrado é que se utilizará tal termo. Em monitoramento dos “mega” veículos de comunicação da Europa e E.U.A. podremos acompanhar essa lógica, imediatamente repercutida no Brasil.

Resta-nos agora observar como as palavras irão a cada dia construindo a narrativa da “guerra” na Venezuela. Outra questão, para explicar bem esse propósito de guerra hibrida, será melhor explicado a partir de um texto literário.

Na obra Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche, logo no início temos uma cena que muito explica o atual “pré-guerra”. Trata-se da seguinte cena, que irei reproduzir sem ser textual.

“Havia uma apresentação de um equilibrista. O mesmo tentava equilibrar-se numa corda que estava estendida do segundo andar de uma casa à outra. Passando por sobre a rua. Lá em baixo havia vários indivíduos olhando a cena. O jogo em que a pessoa poderia cair e morrer parecia excitar os espectadores. O equilibrista lá sobre a corda concentrava-se e em dado momento um “diabo” entrou logo atrás dele. E veio vindo um pouco mais rápido em sua direção. E com toda desenvoltura sobre aquela corda, grita com o equilibrista, dizendo para que ele saísse da frente. O mesmo olha para trás, mas o diabo de modo muito tranquilo salta por sobre o equilibrista... e segue na frente. Nesse movimento de olhar para trás e depois para frente, o mesmo desequilibra e caí. Vendo o equilibrista no chão, morto, saindo sangue, a multidão corre, foge.”

A ideia acima reproduzida, sem ser citada textualmente, advém da obra Assim Falou Zaratustra do autor Nietzsche. A ideia é que o atual cenário de “guerra hibrida que já se desenrola” na Venezuela assemelha muito à ideia de Nietzsche. Os jornais observam o equilibrista, e nesse momento proferem palavras que parecem atiçar a situação, mas se sabe que o trágico é iminente. Essa ambiguidade entre atiçar e se excitar em função da violência, e quando a mesma chega a fuga, também pode ser visto em “brigas” de festas. Na qual pessoas ficam do lado dizendo palavras de incentivo, mas quando a coisa perde o controle se muda o discurso rapidamente.

Os jornais têm cumprindo esse lugar da plateia que dá gritos, provoca. E quando a guerra passar para as fases de mortes efetivas e massivas, a mesma se colocará no lugar de dizer “que é um absurdo” inocentes morrendo. E numa eventual vitória de Maduro, como a de Al-Assad na Síria, rapidamente a mídia irá sumir com as palavras pejorativas destinadas ao atual Presidente eleito da Venezuela.

Portanto, não se trata de pensar o que vai ocorrer na Venezuela. Já está ocorrendo uma guerra hibrida e ela está na fase do “assédio” informativo. Fase na qual se instala o caos mais fundamental da guerra, que é a desarticulação comunicacional de uma dada nação. O ataque já está ocorrendo no “sistema” mais elementar de uma nação, que é a infraestrutura comunicativa entre os indivíduos que compões a nação da qual o País é fruto. Qualquer guerra produz esse efeito de destruição, ainda que habitualmente só vemos os tiros, explosivos, e prédios destruídos. A destruição mais profunda e duradoura será a que ataca as estruturas simbólica estabelecidas.

Bem-vindos a guerra em nossos dias.


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