#Natal


O que é isso?

Presentes? aquele senhor velhinho ridiculamente e inexplicavelmente vestido para uma nevasca e que se encontra em pleno verão? 

O natal não fazia parte das festas cristãs, aliás, tem muito coisa que só entrou na história da Igreja Católica muito tempo depois. A própria ideia de trindade, o tema mais elementar do cristianismo, só virou história no Concílio de Niceia. 

Isso não quer dizer que o Natal não possa ser uma festa cristã. Claro, mas tal ressalva deve ser feita na medida em que tais festas servem muito mais para oprimir do que propiciar o verdadeiro espírito cristão. Deixemos aqui a páscoa e o famigerado chocolate, que também sofre essa perversão do sentido original da coisa. 

Quando uma festa religiosa é tomada pelos interesses recentes do consumo e com tudo o que implica a cultura de “consumo de massa”, devemos chamar a atenção para os riscos que tal distorção traz. O primeiro é perverter algo de ordem espiritual em material. O natal não é dar e receber presentes. Muito menos, um bom velhinho… e o nascimento de jesus? 

Ou seja, para atender os interesses econômicos entrou um velhinho que dá presente. Que até pode ter uma história muito cristã em sua origem, mas que hoje deixou de sê-lo. 

Depois, o calendário religioso católico perde muito com a não adaptação do calendário ao nosso hemisfério. Sim, no hemisfério norte, faz sentido várias festividades católicas pois elas tem estreita relação com o tempo, com as estações. Natal é frio, é inverno. A ideia de uma espera faz muito sentido sobretudo onde neva. Toda a bicharada hiberna ou migra, logo o silêncio provocado por tal em muito se relaciona com o momento de reflexão que o Advento (tempo litúrgico) pede.  

O nosso natal deveria ser em junho, 24 de junho, festa de São João, com muita fogueira(frio) e dança popular chamada por nós de quadrilha. 

Portanto, natal enquanto momento oportuno de meditação, de momento de estar consigo; de refletir profundamente a si mesmo, de se deixar estar consigo mesmo, é uma proposta de fazer emergir de si novas facetas que subjaz a si mesmo. Daí a figura de nascimento. E é desse mote que se convida nos modos didáticos da Igreja Católica, para o nascimento de cristo. Deixar cristo nascer em si é como procurar em si novos arquétipos ou arquétipos próprios do panteão cristão, tais como bondade, mais amor, mais compaixão, etc…. O que não falta são as figuras didáticas da Igreja Católica para tentar propiciar uma reflexão de nascimento de facetas nos seus fiéis. 


Natal é isso e muito mais; não é vinho barato, cervejado, coxa de franco com macarrão, “piru" assado, etc… tudo isso é mero lixo cultural. E vejamos, lixo mesmo, pois qualquer comunidade quando se empenham em seus artefatos culturais o fazem com qualidade, com autenticidade; a cultura para as massas tem a proeza de empobrecer qualquer manifestação cultura na medida em que ela retira a criação das mãos das pessoas. 

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