Bolsonaro facista?


Retirado do Site/jornal TheIntercept, você pode acessar aqui
Entrevistador: Se você fosse hoje o Presidente da República, você fecharia o Congresso Nacional?
Não há menor dúvida, daria golpe no mesmo dia! Não funciona! E tenho certeza de que pelo menos 90% da população ia fazer festa, ia bater palma, porque não funciona. O Congresso hoje em dia não serve pra nada, xará, só vota o que o presidente quer. Se ele é a pessoa que decide, que manda, que tripudia em cima do Congresso, dê logo o golpe, parte logo para a ditadura.
– Jair Bolsonaro
23 de maio de 1999


Atenção: Este texto não quer lhe convencer de votar no PT.
               - Este texto parece falar mal do PT, mas não o faz. 
              - Este texto considera Bolsonaro facista. 
             - Este texto será revisado no futuro. 

O dito popular concentra uma sabedoria muito pertinente para os nossos dias de disputas políticas.

No livro “para entender o PT”, do autor Prof. Dr. Antônio Paim, vemos algo que cabe bem a ideia popular acima citada. O pensador em questão, estudou filosofia na Rússia, na Universidade Lomonosov, e teve interesse no Comunismo na sua juventude. Vivendo na União Soviética – URSS, conheceu a experiência da organização da sociedade civil sob o “comunismo”. É também conhecedor dos vários acontecimentos sociais e políticos sob a batuta do comunismo em vários países do Leste Europeu.

Quando Antônio Paim retorna para o Brasil se dedicou ao ensino de filosofia, sobretudo de uma filosofia ou de pensadores que se dedicaram à filosofia que é propriamente brasileira e suas conexões.

Na docência, Paim acabou por se posicionar numa “linhagem” filosófica oposta a uma Escola Uspiana; que nas disputas de poder se posicionou nos lugares de acesso às verbas estatais. Dessa experiência, além de outra ligada a PUC do Rio, Paim reviveu ou encontrou aquilo que lhe parecida ser familiar do contexto comunista, da época de Stalim, que é o autoritarismo socialista. Aqui em resumo provisório.

Será dessa experiência bem concreta, diríamos “da água quente” que escalda o gato, que Paim passa a examinar o histórico do PT. Não será estranho suas ponderações, a partir dos discursos de líderes do PT (sobreuto aquele PT dos anos 80 e inicio dos 90), no sentido de ligar tais ideias à sua experiência pessoal com o comunismo e seus desdobramentos no Leste Europeu. Claro, no mesmo material o autor indica as reviravoltas democráticas na programática do PT. Ademais, Paim é exemplo de que a diversidade de pensamento e o dialogo é o estágio mais desejável de uma sociedade forte e saudável. Suas ponderações, sobretudo sobre o autoritarismo, são basilares para o exame crítico de ideias socialistas. Socialismo que mantém no seu “frontispício” traços de coisas boas, saudáveis, de que é uma coisa boa para a maioria das pessoas, que tem “tudo de bom”(gira paulistana). É como se Paim demonstrasse que o suprassumo da bondade, “Madre Tereza de Caucutá”, tem traços de autoritarismo. Promovendo uma ruptura do consenso sobre o tema.

Seguindo nosso resumo, Paim faz a leitura dos “sintomas” e em posse de vários desses sintomas procura traçar maneira de funcionamento possíveis. Para quem tinha vivo na memoria os desdobramentos de lá, aquelas ideias do PT lhe pareciam ser factíveis de se encaminharem para os mesmos lugares do comunismo russo, muito marcado pelo autoritarismo.

Penso que essa ideia de crítica ao PT também é feita por outros pensadores e Paim não seria o único. No caso de Bolsonaro, seus opositores políticos e uma ampla gama de jornais e jornalistas (New York Times, El País, Le Monde, Corrieri dela Sera, etc) tem feito algo parecido. Considerando outras experiências muito bem documentadas de governos autoritários sob princípios não socialistas ou comunistas, tais como o conhecido fascismo italiano ou o “nacional-socialismo – nazismo” alemão, tem abundando as matérias que verificam nos “fatos” ligados a Bolsonaro semelhanças com o que antecedeu aos governos autoritários em questão.

Nos dois casos, tanto Paim quanto no atual cenário de Bolsonaro, o que podemos verificar se inscreve no dito popular do “gato escaldado tem medo de água fria”, isto é, tendo dados iniciais desse ou daquele grupo política se faz “conexão” com outros cenários históricos já realizados. Não se trata de “futurologia”, mas de uma comparação de vários dados do presente e dessa articulação se vai construindo uma previsibilidade do futuro. Nesse quadro é que Paim fez conexão do PT com o comunismo do Leste Europeu e vários jornais e livros têm feito relação de Bolsonaro com o nazismo e o fascismo.

De todo modo, prever o futuro com esse modelo praticado por direita ou esquerda tem se mostrado algo sempre provisório, pois a cada momento histórico há uma conformação única e parece-nos ser humanamente impossível que a história possa acontecer novamente. O que levou o surgimento da ideia (Hegel) de que a história nunca se repete, mesmo quando ela parece repetir. Cada instante histórico é singular e único, mesmo quando ele se parece muito com um anterior. E para tal se propôs que num primeiro momento ele é uma tragédia, isto é, um acontecimento humano que se dá mesmo que nós humanos não o desejaríamos desse modo, mas de outro. E quando achamos que ele se repete, na verdade é só aparência, pois essa semelhança seria uma “farsa”, pois subjaz outros vetores, outros jogos, outros contextos do que tem aparência de estar se repetindo.

Nesse quadro, tanto o PT não virou comunismo no estilo da URSS quanto Bolsonaro pode não virar os citados governos. Mas Paim fixou-se em experiências pessoais, tanto na sua vivência na Rússia quanto nos problemas de exclusão e disputas políticas acadêmicas na PUC Rio, e passou a prospectar sob todos os signos do “petismo” seus possíveis desdobramentos autoritários no estilo daquilo que ocorreu na Rússia. Por ser mais específico, concentrar em uma obra e noutras conexas, essa ideia precisa ser mais meditada de nossa parte. Doutro lado, a ideia que associa Bolsonaro a governos de extrema direita, figura política que elogia um torturador em pleno Congresso Nacional, tem repercutido por várias cabeças e instituições de informação. O que permite criar uma imagem mais ampla e com mais possibilidades de compreendermos que há sim em Bolsonaro uma possibilidade maior de se encaminhar para um autoritarismo político semelhante ao que ocorreram no passado. Especialmente semelhante ao que ocorreu no Chile de Pinochet. Contudo, também não dá para dizer seus traços específicos, pois só a realização será possível mostrar o que será de fato.

Mesmo que do ponto de vista lógica não se pode delinear os contornos exatos, não podemos deixar de dizer que há mais evidências do autoritarismo da “onda” Bolsonaro do que no caso de o “petismo” virar comunismo. Será um modelo de governo que irá inaugurar modalidades de autoritarismo travestidos de democracia e legalidade. Como dois exemplos já “consolidados” na República de Honduras (José Manuel Zelaya Rosales), e no Paraguai (Fernando Armindo Lugo de Méndez) contribui para que nossa leitura dos sintomas sociais políticos do atual quadro brasileiro esteja nos encaminhando para o autoritarismo político.

Uma singularidade desse novo método é manter a aparência de governo democrático e civil. Aquela ostentação das fardas do passado parece ter saído de moda, agora mesmo Generais se apresentam ao público, quando nas funções civis, de ternos. Antes de abrirem a boca até parecem civis.  

A esse propósito de tentar desenhar quadros futuros, há aqueles otimistas que compara o hoje candidato Bolsonaro com o governo de D. Trump, presidente do U.S.A. Algo totalmente fora da futurologia.


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