Iphone e livros!

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iPhone (smartphone) tornou-se o ícone de um momento do consumo. Mesmo que nos dias de hoje se tem o correlato desse objeto de consumo ele é um símbolo de modo de vida. 

Doutro lado está o livro. Papel, letras e imaginação; mas sobretudo privação. Ler é um exercício de privação na medida em que somos obrigados a nos ater nesse texto. Devemos deixar de lado as demais coisas, não há o hipertexto; aquela possibilidade de começarmos lendo algo e terminar em outro totalmente diferente que só é possível nos textos eletrônicos.

E aí é que entra o primeiro embate entre Livro(filosofia) e o iPhone. O primeiro está na contramão da cultura que tem por base "ter coisas" ad infinitum. O consumo de massa precisou forjar uma cultura dada à flexibilização de qualquer coisa estanque, parada. Não dá para consumir e ter amores pelo objeto comprado; Assim aquela velha cena do "mineiro" que compra uma camisa e fica com ela por 10, 15 anos e mesmo já rasgando ele tem amores por ela, ja era. Um indivíduo desses quebra a indústria que se organizou para vender sempre mais....

O lugar que mais podemos notar a existência de flexibilidade provocada pela cultura do consumo está na família. Se por um lado o tema da família está sempre na boca dos tradicionalistas, de posição políticas de direita à extrema direita, somos obrigados a considerar que a família é uma vítima de primeira ordem. É preciso cunhar outro modelo de família para que exista espaço, já desde criança, para o consumo insano. 

Historicamente, seja em França (década de 30), nos EUA(década de 60) ou no início dos anos 90 aqui no Brasil, a cultura do consumo passa o rolo compressor sobre a cultura baseada em valores. A primeira vítima é a família tradicional, que é pintada apenas nos seus aspectos negativos e contraposta ao novo "eldorado" do consumo. 

Privação é uma palavra que passa para a lista das coisas mais infernais. Em seu lugar entra abundância, fartura. O ter entra triunfante, sobretudo nas famílias que outrora experimentaram faltas elementares como alimentação, moradia, etc.... 

Portanto, qualquer movimento de contenção, regulação e privação é abominado. Surge até correntes religiosas que valorizam os traços desse novo eldorado, trata-se da Teologia da Prosperidade, onde só se fala de "diabo"(o grande privador) e apregoa toda uma economia sagrada. Onde se dá e recebe....

Não só não se lê, mas se engorda. A obesidade cresce entre nós brasileiros a índices chineses.

Por fim, na esteira da não leitura, assistimos outro modo de lidar com a escrita. Lembrando que, se tomarmos a história humana como um todo, nem sempre foi a rainha das sociedades, houve épocas que a oralidade tinha mais força. Talvez, a escrita no Ocidente só chegou ao sol bem recente, a partir da cultura Renascentista e Iluminista. E nesse momento ela sofre novos influxos. O velho livro, como uma invenção de auxílio da memória, pode estar não só sendo preterido, mas ganhando nova forma. Os pequenos textos diários, seja nas famigeradas redes sociais ou blog, pode também ser uma nova modalidade de livro. O livro enquanto um sistema mais complexo de guardar memórias pode estar sendo fragmentado; ninguém tem tempo; ou as novas formas de comunicação, sobretudo a rapidez, pode tem outra demanda; pequenos textos, pontuais.





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