A Morte: O quê um filósofo tem a dizer dela?





Prof. Me. Cídio Lopes de Almeida


Por onde começar?
Essa é uma dúvida para quem decide tentar pensar um pouco o que é a morte. Pode-se, por exemplo, falar da vida ou dos tipos de vida que se quer levar, protelando, de certo modo, o tema que dá frio na coluna de todos os seres humanos vivos.
Podemos encontrar longos tratados que procuram definir o que vida, pois em épocas de robótico essa preocupação toma a pauta na medida em que já estamos inventando a tal inteligência artificial.
Porém, como falar da morte quando ela nos visita? Seja por uma questão da nossa própria saúde ou pela partida de um amigo ou parente, como abordar esse assunto evitado a todo custo? No mínimo é embaraçoso, afinal, além de um cérebro racional, nós filósofos e professores de filosofia, também somos dotados de afeto e, portanto, imerso nas mesmas questões existências que os demais humanos. Afinal, filósofo também morre.
Para o teólogo e filósofo Leonardo Boff o afeto, aliás, é a parte em nós que primeiro se ativa quando somos postos diante de qualquer situação, especialmente a da morte iminente. Em uma breve retrospectiva da humanidade ele verifica que há em nós humanos uma estrutura biológica que remonta a 235 milhões de ano e que só há 5 milhões adquirimos no cérebro as partes responsáveis pela razão. Somos, nesse sentido, seres que temos uma base muito forte de impulsos não-racionais, e a morte, dessa forma, nos remete a impulsos muito mais antigos do que nossa recente capacidade de pensar; e pensar a morte consiste um dos temas obrigatório de todos nós.
Superado esse impacto que a morte nos impõe é preciso pensá-la. E é possível pensá-la. Só não é possível evitá-la e por isso mesmo se tratar de um tema muito delicado a ponto de até mesmos na premência da morte suspendermos toda nossa capacidade racional e nos apegarmos unicamente às emoções. Esse deixar-se guiar pela pura emoção diante do perigo da morte motivou Erasmo de Roterdã a escrever um pequeno livro intitulado “Elogio da Loucura” no qual trata que ficar louco constitui um recurso freqüente para se proteger do medo ou da dor provocado pela morte.
A primeira coisa que a razão nos fornece, mas é sempre fonte de controvérsia, são as  explicações para vida. Uma linha de argumento nos diz que as coisas não terminam com a morte e ainda podemos voltar a viver, já outra linha, sim não terminamos com a morte, porém, não temos opção de voltar a essa forma de vida. A caminhada continua em outro plano e não podemos tomar essa forma de vida.  São duas explicações muito comuns entre nós nos dias de hoje e que prefiro não me posicionar partidário dessa ou daquela.  Penso que a vida tem muito mistérios, e partidarizar-se nessas questões é fechar-se para o infinito e o grande mistério que paira sob nossas cabeças.
O mais  importante a verificar é que em ambas se concebem o mesmo tipo de vida. Podemos afirmar que a vida humana não se restringe a um mero aglomerado de minerais e vegetais. Temos algo a mais, um diferencial. Pode-se dizer que temos algo que salta ao puramente material. Os termos para dizer dessa outra dimensão que nos compõe enquanto humanos são alma, espírito, consciência, capacidade de abstração, eu, pessoa e indivíduo. Palavras que de modo geral toma-se como sendo sinônimos, termos diferentes para se dizer uma mesma coisa.
Essa observação de que não somos meramente materiais, nos faz retomar o que compreendemos por vida e desse modo podemos encontrar formas adequadas de pensarmos a morte. Morrer está intimamente ligado ao que compreendemos sobre a vida. Aliás, lembremo-nos de que somos ou temos em nós muito mais afeto do que razão. De certo modo,  o mais importante é não só pensarmos o que compreendemos acerca da vida, mas como levamos a vida; como vivemos a vida?
Como havia salientado, temos a capacidade de pensar sobre a morte, mas não temos a capacidade de evitá-la. Nesse sentido o que nos resta a fazer e procurar viver a vida de modo consciente de que tipo de vida está levando. Uma pergunta para se começar a pensar a vida é afinal como seria uma vida que não tivesse fim?






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